Fumo está relacionado a sérios problemas periodontais

Compostos encontrados no cigarro

Compostos encontrados no cigarro.

A organização Mundial da Saúde (OMS) considera o tabagismo como a principal causa de morte evitável em todo o mundo. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tsiologia, no Brasil, cerca de 30% da população adulta é fumante. Além disso, estima-se que ocorram a cada ano 125 mil mortes no país por doenças associadas ao fumo.

O tabagismo é a principal causa de muitas doenças pulmonares, como a bronquite crônica, o enfisema pulmonar, o câncer de pulmão e está associado ainda a tumores na língua, na garganta, no lábio, na boca e na laringe, e também pode causar necrose e doenças cardiovasculares.

Com o objetivo de conscientizar a população sobre o assunto e diminuir os riscos destas doenças, foi criado pela Lei Federal nº 7488, de 11 de junho de 1986, o Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto. A lei estabelece que durante a semana que antecede a data seja lançada uma campanha de âmbito nacional para alertar a população, em particular os adolescentes e jovens, sobre os males causados pelo fumo à saúde.

A nicotina é considerada pela OMS uma droga psicoativa que causa dependência e age no sistema nervoso central como a cocaína. Por isso, o tabagismo é classificado como doença e está inserido no Código Internacional de Doenças (CID-10) no grupo de transtornos mentais e de comportamento devido ao uso de substância psicoativa.

Segundo o Inca (Instituto Nacional de Câncer), a nicotina aumenta a liberação de catecolaminas, causando vasoconstrição, acelera a frequência cardíaca, causa hipertensão arterial e provoca uma maior adesividade plaquetária. A nicotina está relacionada à perda óssea alveolar e inserção periodontal, formação de bolsas periodontais e, consequentemente, perda de elementos dentais.

O periodontista, Eduardo Saba-Chujfi, afirma que a vasoconstrição causada pela nicotina compromete a nutrição tecidual, agrava os problemas periodontais, assim como, o processo de cicatrização após as cirurgias. Durante uma cirurgia de descolamento ou enxerto de tecidos conjuntivo ou ósseo existirá uma natural diminuição da vascularização. “O cigarro reduz o potencial de oxigenação tecidual e do fluxo sanguíneo, dificultando o processo de reparação. Compromete também o sistema respiratório, portanto, deixa o paciente mais suscetível às infecções, problemas cicatriciais, necrose e intercorrências referentes à anestesia, podendo facilitar as tromboses e embolias.”

O fumo proporciona o agravamento das inflamações gengivais, o surgimento do câncer de boca, o manchamento dentário, a xerostomia e a halitose. “Por reduzir o fluxo salivar, aumenta o número de cáries, reduz a resistência local, além de expor a pessoa ao câncer bucal. O hábito de fumar aumenta também a temperatura bucal e favorece a proliferação de determinadas bactérias. É importante ressaltar que a viscosidade da saliva provocada pelo cigarro dificulta a limpeza natural dos dentes e gengivas”, explica o diretor da EAP e estomatologista, Arthur Cerri.

De acordo com a Sobrape (Sociedade Brasileira de Periodontia), fumantes podem apresentar gengiva mais fibrótica com aspecto ressecado. A presença de retrações gengivais também tem sido observada em tabagistas, e o maior acúmulo de tártaro.

Cirurgião-Dentista como promotor da saúde.

O câncer de boca ocupa uma posição de destaque entre os tumores malignos do organismo devido à sua relativa incidência e mortalidade. A combinação de bebidas alcoólicas e o consumo de tabaco é uma das maiores causas das neoplasias bucais.

Segundo Artur Cerri, a participação do Cirurgião-Dentista é fundamental no diagnóstico precoce da doença. “Não podemos esquecer que as doenças cancerizáveis são assintomáticas, portanto, é comum que passem desapercebidas. O Cirurgião-Dentista, acima de tudo, deve orientar seu paciente sobre os riscos do fumo, incentivar o auto exame e sempre que necessário realizar a biopsia.”

Cerri afirma que uma regra simples e eficaz é: Qualquer lesão que não regride num prazo de 15 dias deve ser biopsiada. “É uma pena, mas 85% dos casos de câncer bucal são diagnosticados em fases avançadas. Esse percentual seria infinitamente menor se a regra fosse aplicada.”

De acordo com a OMS, os Cirurgiões-Dentistas devem exercer a primeira linha de prevenção antitabagismo: motivar os pacientes para não fumarem e explicar os malefícios que o fumo traz sobre dentes e sobre implantes, principalmente, se estiver associado a outras condições sistêmicas. “Costumo dizer aos meus alunos que, mesmo que o Cirurgião-Dentista fume, deve orientar os pacientes para não fumarem. Devemos, ainda, enfatizar que o fumo associado ao álcool tem um efeito devastador sobre o organismo. É uma associação extremamente perigosa que facilita o desenvolvimento do câncer bucal e nos demais órgãos do corpo humano”, finaliza Eduardo Saba-Chujfi.